quarta-feira , 17 outubro 2018
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Fraude na energia: 21 pessoas são presas em esquema que causou prejuízo de R$ 30 milhões à concessionária

As 21 pessoas, entre empresários e funcionários, foram presas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão (Foto: Erlon Rodrigues/Assessoria da PC)

Pelo menos 21 pessoas foram presas em flagrante na manhã desta quinta-feira (11), durante a operação ‘Luz para Poucos’, deflagrada pela Delegacia Especializada em Combate ao Furto de Energia, Água, Gás e Serviços de Telecomunicações (DECFS) e Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), com apoio da Eletrobras Amazonas Energia. Eletricistas, empresários e funcionários da concessionária de energia elétrica no Estado, são acusados de serem responsáveis por fraudar os medidores de energia elétrica.

De acordo com o delegado Felipe Vasconcelos Dias, titular da DECFS, 21 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A operação teve por desarticular uma organização criminosa formada por funcionários da Eletrobras Amazonas Energia e empresários da capital, pela prática de organização criminosa, estelionato, peculato, corrupção ativa e passiva, além de inserção de dados falsos em sistema de informações com atuação na concessionária de energia elétrica.

As ações nos locais investigados prosseguiriam durante toda a manhã em postos de atendimento da empresa Eletrobras e residências na capital. Além das 21 pessoas presas, foram apreendidos equipamentos, materiais elétricos, armas de fogo e R$ 6,7 mil em espécie. Os mandados judiciais foram expedidos pela juíza Andrea Jane Silva de Medeiros, da 5ª Vara Criminal.

Os empresários Pedro Paulo e Valdir Campelo irão responder por organização criminosa, corrupção ativa e estelionato. Os eletricistas Márcio Ribeiro, Charles Lima, Mário Rangel, Paulo Lino e Paulo Ribeiro irão responder por organização criminosa, corrupção ativa e estelionato. Márcio, além dos crimes citados, irá responder por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.

Organização criminosa

A supervisora de uma unidade de atendimento da concessionária em Manaus, Lizanette Beckman, além dos atendentes Daniel Jakminutt, Cairo Luiz, Raphael Walbert, Patriciane Oliveira, Cinthya Neves, Alexsander Lopes e Armindo Vital irão responder por organização criminosa, corrupção passiva, estelionato e inserção de dados falsos em sistema de informações. Francisco Moreira, Marcello Coelho, Raimundo Iranildo, Adolfo Castro, Paulo Roberto e Sarah Viana, técnicos ou funcionários terceirizados da empresa, irão responder por organização criminosa, peculato e corrupção passiva.

Eles foram apresentados na tarde desta quinta-feira (11), durante coletiva de imprensa realizada às 12h30, no prédio da Delegacia Geral (DG). O delegado-geral da instituição, Mariolino Brito; delegado-geral adjunto da DG, Antônio Chicre Neto; o delegado titular da DECFS e o diretor-adjunto do DRCO, delegado Thomaz Vasconcelos Dias, além do diretor-presidente da Eletrobras Amazonas Energia, Tarcísio Estefano Rosa, e a diretora comercial da empresa, Andressa Oliveira, discorreram sobre a importância da operação.

Prejuízo expressivo

“O nosso prejuízo anual relacionado ao furto de energia no Estado é da ordem de R$ 500 milhões. As nossas atividades, que começaram há muito tempo, não têm a engenharia da Polícia Civil. Então, solicitamos o apoio da instituição. Somente a Polícia Civil para uma ação desse tamanho e com essa importância”, declarou Tarcísio Rosa.

As investigações em torno dessa ação foram iniciadas há cerca de 10 meses, quando a diretoria comercial da Eletrobras procurou a equipe da DECFS e relatou uma série de práticas ilegais, identificadas pelo sistema de controle da empresa, causando prejuízos significativos à concessionária de energia.

“Somente essas pessoas presas ao longo desta quinta-feira causaram, a partir desses desvios, prejuízos estimados em R$ 30 milhões à Eletrobras Amazonas Energia. Esse valor deve ser ainda muito maior, por isso as investigações vão continuar. As pessoas precisam ter a consciência de que furto de energia é crime e elas podem responder criminalmente pela prática ilegal”, advertiu o titular da DECFS, Felipe Vasconcelos Dias.

Além das 21 pessoas presas, foram apreendidos equipamentos, materiais elétricos, armas de fogo e R$ 6,7 mil em espécie (Foto: Erlon Rodrigues/Assessoria da PC)

Conforme o delegado Thomaz Vasconcelos Dias, as equipes policiais conseguiram identificar os desvios por meio da instalação de medidores adulterados, uma vez que esses funcionários envolvidos no esquema ilícito tinham acesso a alguns medidores, inclusive vários deles furtados de algumas residências, algumas delas desocupadas.

“Eles subtraíam esses medidores, levavam para alguns laboratórios, faziam a adulteração e reinstalavam em grandes unidades consumidoras, cobrando, pra isso, expressivos valores pelo serviço. Então essa unidade consumidora passava a pagar valores 90% inferiores aos que realmente deveriam pagar à concessionária. Identificamos os autores da adulteração e os indivíduos que faziam a instalação desses medidores. Em uma fase seguinte serão chamados os empresários que foram beneficiados com essa fraude”, complementou o diretor-adjunto do DRCO.

Para concluir, o delegado-geral da Polícia Civil no Estado elogiou o trabalho desempenhado pelos servidores da instituição. “Agradeço o empenho das equipes da DECFS e DRCO, que ao longo desse tempo fizeram esse trabalho criterioso, com o interesse de desvendar os autores e levá-los a prestar conta com a Justiça. Também quero agradecer o apoio da Eletrobras Amazonas Energia e das unidades que contribuíram para que esse trabalho se efetivasse”, declarou.

O titular da DECFS ressaltou que as investigações em torno de desvios à concessionária irão continuar com o intuito de identificar outros eventuais envolvidos nessa prática ilícita.

Por equipe do Diário Manauara com informações da assessoria

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